Mostre-me um exemplo Profissão: Mãe!: Ma Jian
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Você Conhece? Ma Jian

Ma Jian nasceu em Qingdao, China em agosto de 1953.


Trabalhou como relojoeiro, pintor de cartazes de propaganda e depois foi fotojornalista de uma revista estatal.  Aos 30 anos, deixou o emprego e passou três anos viajando pela China. Morou em Hong Kong, Alemanha e Londres. Recebeu o prêmio Thomas Cook, na categoria livros de viagem, por Red Dust.
Esteve na FLIP (Festa Literária Internacional em Paraty) em 2009, onde falou do seu livro Pequim em Coma.
Atualmente o escritor vive em Londres.
Para ler mais sobre o autor, clique  aqui.

sábado, 4 de julho de 2009

Coragem de denunciar

Tinha resolvido não enfrentar mais filas para pegar autógrafos dos escritores na FLIP, já que minhas experiências anteriores mostraram que além do enorme tempo gasto esperando, fazendo com que eu perdesse outras palestras, a dedicatória não passava de um frustrante ‘Para: Daniele’, escrito com um meio sorriso, às pressas.
Mas depois da palestra dos autores chineses, não pude conter minha vontade de guardar um pouco daquela coragem para mim, nem que fosse através de um rabisco num livro.
E depois de uma rápida passada na livraria e um longo tempo na fila, ganhei mais do que isso!
Xinram começou me pedindo desculpas pelo tempo que me fez esperar, autografou dois livros, pousou para uma foto e escutou agradecida meus elogios à sua coragem.
Com Ma Jio tive ainda mais sorte. Como o livro que está lançando no Brasil, ‘Pequim em Coma’, é pesado, grosso e um tanto caro, fui a última pessoa interessada em seu autógrafo, enquanto a espera por Xinran ainda era grande. Isso me permitiu não só foto e dedicatória, mas também meu nome escrito em chinês e 100% de sua atenção. Com ajuda do intérprete, tentei descrever minha emoção com a palestra, com sua bravura e seu amor à China. E da injustiça que era um homem capaz de arriscar a vida para lutar por seu povo e seu país ser privado de viver nele. Acredito que ambos os autores escutem isso o tempo todo, mas ele me pareceu verdadeiramente tocado com o elogio.
O dia terminou com um caldo de abóbora com carne seca, uma taça de vinho tinto e um bombom de morango com trufas. Tudo por R$ 18,00. E em meio a um artista em cada esquina e à galera ainda animadíssima, vim para a pousada descansar para o próximo dia.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Viva as Mães Chinesas

Olha só, pessoal, comecei esse post e esqueci de publicá-lo....
Apesar de já fazer um tempinho, acho fundamental contar para vocês sobre os chineses que conheci na FLIP: a jornalista chinesa Xinran e o fotógrafo e ficcionista chinês Ma Jian. Eles deram uma palestra onde falaram de sua coragem em denunciar os abusos do governo chinês nos seus livros.
Ma Jian lançou "Pequim em Coma", que conta a história de um jovem que entra em coma depois de um acidente, e tem como pano de fundo o massacre na Praça Celestial, acontecido em 4 de junho de 1989.
Como nos explicou o autor, o maior crime não foi o massacre em si, mas o terrorismo emocional sistemático que o governo promoveu em seguida, fazendo o povo 'esquecer' o episódio. Sufocar a memória do povo foi mais cruel do que os assassinatos em si.
O próprio Ma Jio era um estudante na época, e só não esteve presente nos protestos porque foi cuidar do irmão que estava em coma depois de um acidente. Obviamente a sua experiência pessoal foi decisiva para a abordagem que o escritor escolheu para tratar da tragédia.
Falando em chinês o tempo todo, reservado como costumam ser os orientais, Ma Jio oportunizou ao público conhecer a repressão em que vive o povo chinês e o sofrimento de um exilado que já não é chinês em seu país, nem ocidental na Inglaterra, onde vive há vários anos. Ma Jian deixou uma filha na China, que fez aniversário no último dia 12 de julho. O escritor estava num dilema, pois temia ser preso ao visitar à filha, e não queria causar sofrimento nem a ela nem ao restante da família. Amigos o alertaram que o título do livro poderia não ter agradado os dirigentes chineses e ele dividiu sua angústia, desculpando-se pelo desabafo, com o público em Paraty, comovendo-me profundamente.
Não consegui descobrir se ele fez ou não a viagem, mas imagino que se tivesse sido preso, teriam noticiado largamente o fato.
Sobre Xinran, fica para o próximo post, ok?

beijo,

dany